O efeito Marina
Em política é preciso ficar muito atento à tendência do eleitor e respeitar as conveniências locais, seja dos municípios ou dos estados. Esta premissa vale para todos, mas parece que o ex-governador Wilson Martins, mesmo tão experiente como o que é, resolveu não seguir a cartilha.
Ao insistir em colar sua imagem à de Marina Silva perdeu pontos importantes nesta reta final da campanha para o adversário que, num primeiro momento, aparentava distância do favoritismo que hoje amedronta o núcleo duro do Governo. O ex-prefeito Elmano Férrer fez exatamente igual ao senador Ciro Nogueira em 2010 – colou sua imagem a Dilma Rousseff e Lula e deixou o resto por conta dos quase 60% de preferência eleitoral dos dois grandes nomes que têm influência direta sobre a maioria do eleitorado piauiense.
Também não faltou a estrutura necessária para que Elmano tivesse seu nome divulgado nos mais longes destinos do Piauí. Isso foi feito através de lideranças e suas andanças, claro, mas também por cartas entregues pelos Correios ou pelas mãos de motoboys, fazendo referência a uma “carta que Lula e Dilma mandaram”.
A verdade é que Wilson Martins não foi beneficiado pela onda Marina, nem tem um candidato a governador para lhe render frutos já que Zé Filho corre atrás para chegar até o segundo turno e não lhe transfere os votos necessários como Wellington Dias para Elmano Férrer.
Nova pesquisa Datafolha
Os números do Datafolha, divulgados nesta quinta, revelam exatamente o que o blog tem relatado. A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, abriu vantagem sobre a Marina Silva com 37% das intenções de voto contra 30% da principal adversária.
Dilma passou de 36% na pesquisa anterior, realizada em 8 e 9 de setembro, para os atuais 37%, enquanto Marina caiu de 33% para 30%. O candidato do PSDB, Aécio Neves, foi de 15 para 17% das intenções de voto.
Na simulação de segundo turno entre Dilma e Marina, a vantagem da candidata do PSB caiu de 4 pontos no levantamento passado para 2 pontos atualmente. Marina apareceu com 46% das intenções de voto (tinha 47%) e Dilma está com 44% (tinha 43%).
Apostas erradas do PT
As três grandes apostas do Partido dos Trabalhadores para eleição de governador nos estados não estão tendo o desempenho esperado pelo partido. Alexandre Padilha, em São Paulo, Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, e Gleise Hoffman, no Paraná, estão ficando muito aquém do planejado. Neste quesito também a presidente Dilma deve concluir o mandato com sucesso parcial no projeto defendido pelo presidente Lula para o PT, que era de eleger governadores nos estados com maior colégio eleitoral do país.
Até o momento, por ironia, apenas em Minas Gerais, reduto de Aécio Neves, o PT está com maiores chances de vitória com a candidatura de Fernando Pimentel que tem 34% das intenções de voto contra Pimenta da Veiga (PSDB) com 23%, segundo a última pesquisa Ibope.
Piauí e Bahia, situações diferentes
No Nordeste dois casos são emblemáticos para o PT, Bahia e Piauí. Na Bahia a eleição de Rui Costa está fica cada vez mais difícil. A tendência na Bahia é de que o poder retorne para as mãos do grupo político da família Magalhães, que tem o ex-governador Paulo Souto (DEM) como candidato. Souto está com 46% das intenções de voto e Rui Costa com 24%. Já no Piauí o senador Wellington Dias está à frente nas pesquisas e pode voltar para um terceiro mandato como governador do Estado.
Vermelhou
O senador Wellington Dias e o ex-prefeito Elmano Férrer podem até não se fazer presentes, mas seus partidários e simpatizantes tem programada na capital até o final da campanha, todos os dias, em Teresina. A estratégia é clara. Querem minar o território e a vantagem tucana anunciadas.
Nesta sexta, por exemplo, a turma do “Vermelhou” segue para a avenida Frei Serafim, onde pretendem fazer bandeiraço e distribuição de material de campanha.
